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Reportagem do Mês :: Setembro / 2004
Esses chás emagrecem mesmo?
Eles prometem exterminar quilinhos a mais, diminuir medidas e até
acabar com a gordura localizada. Mas antes de acreditar nessa fórmula
mágica, é com conhecer os prós e os contras dessas substãncias.
Tomar um chazinho para melhorar - seja que tipo de mal-estar for - é
recomendação comum desde os tempos da vovó. Essas bebidas
quentinhas são usadas para tudo o que se imaginar: relaxar, desintoxicar,
aliviar dores, curar resfriados, auxiliar no tratamento das mais variadas
doenças, e ultimamente, também vem se tornando sinônimo
de potentes emagrecedores. Anúncios mostrando magrinhas saradas bebericando
fórmulas naturais existem aos montes, assim como os próprios
produtos que invadem as prateleiras de farmácias e supermercados.
Afinal, quem é que resiste à tentação de saber
que, bebendo uma xícara de chá, é possível dar
aquela afinada na cintura e entrar na tão sonhada calça em
apenas três dias? Ou, então, em um prazo um pouquinho maior,
acabar de vez com a celulite, a gordura localizada e até a flacidez?
E o melhor: tudo isso utilizando folhas e ervas, aparentemente sem contra-indicações,
sem precisar passar pelos sacrifícios da dieta e dos exercícios
físicos. Demais, não? Pois pode desistir do sonho, porque ainda
não caiu do céu nenhum produto saudável que faça
isso sozinho.
Certas substâncias naturais até
podem ajudar
Os chás podem ser encarados, no máximo, como coadjuvantes no
processo de emagrecimento. Beber litros e litros dessa infusão ou
tomar cápsulas de ervas conhecidas como milagrosas infelizmente não
têm o poder de fazer com que você diga adeus às gordurinhas
de forma definitiva. Mas é certo que promovem algum efeito, senão
como explicar a enorme procura por esses chás? O resultado, pequeno
é verdade, ocorre porque algumas substâncias presentes nos chás
têm uma ação diurética e desintoxicante mas, como
a concentração é sempre muito baixa, não há
continuidade no emagrecimento.
Pesquisas com algumas ervas, como a garcínia, por exemplo, mostram
que há ação farmacêutica somente em extratos concentrados
de alta qualidade, com capacidade de atuação 50 vezes maior
que o da planta original em forma de líquido ou pó encapsulado.
Para isso, um extrato tem de ser fruto de um lote de plantas de qualidade
inquestionável e passar por rígidos processos de laboratório
que concentram e fixam seus princípios ativos. Só que todo
esse controle ainda não basta. É preciso conhecer a durabilidade
dos extratos e saber se são estáveis a ponto de serem reproduzidos
dentro de um padrão técnico.
Não vale a pena arriscar a saúde
com essas fórmulas
Assim como qualquer outro medicamento, os fitoterápicos, que são
remédios à base de plantas, devem ser submetidos a testes clínicos
e toxicológicos antes de ficarem à disposição
da população. É importante investir somente somente
nos fitomedicamentos de laboratórios sérios e confiáveis.
Além disso, eles só devem ser tomados com prescrição
médica.
Carqueja, garcínia, cáscara-sagrada e cavalinha são
algumas das plantas mais populares e conhecidas por seu "poder emagrecedor".
No entanto, considerando-se a diversidade das regiões brasileiras,
um mesmo nome pode ser atribuído a ervas distintas e, como a maioria
dos chás comerciais não têm marcas, fica difícil
confiar apenas na nomenclatura da substância. De acordo com um especialista
da Sobrafito, a pessoa pode ingerir um chá achando que é outro
e sofrer as consequências de uma medicação inócua
ou até mesmo de uma intoxicação. Daí a importância
do nome científico de cada uma das ervas - sua presença pode
garantir que a fórmula esteja correta.
Outro problema em relação a estes produtos é o fato
de serem enquadrados como nutracêuticos - substâncias consideradas
alimentos que propiciam benefícios médicos, incluindo a prevenção
e o tratamento de doenças. Nessa categoria, podem ser comercializados
sem a necessidade de registro no Ministério da Saúde e não
precisam passar pela fiscalização sanitária a que os
remédios convencionais estão sujeitos. Com isso, não
dá pra ter garantia alguma de que os produtos naturais X ou Y contêm
mesmo aquilo que prometem. Desses chás e cápsulas comerciais,
99% podem até dar uma sensação emagrecedora por seu
efeito diurético, mas não possuem os princípios ativos
eficazes e na concentração certa.
É importante considerar, ainda, que há um risco grave no consumo
desses remédios à base de plantas provenientes de laboratórios
desconhecidos: muitas vezes as fórmulas associam outras substâncias
que sequer são citadas nas embalagens, como hormônios tireoidianos,
antidepressivos, anfetaminas, substâncias tóxicas e alcalóides.
No caso destes últimos, o maior perigo é conter efedra.
No organismo, a substância se transforma em efedrina, que pode provocar
um efeito semelhante ao do hormônio adrenalina. Quem faz uso dessa
planta corre maior risco de ter hemorragia cerebral.
Beba com cautela
Se você está segura de que vale a pena investir em chás
por alguns dias para ajudar no processo de emagrecimento, pelo menos não
deixe de tomar algumas precauções:
- Não exagere na quantidade: duas a quatro xícaras
(chá) por dia são suficientes. Iss porque é muito difícil
saber qual a concentração do princípio ativo do chá
e como ele vai influir no organismo.
- Lembre-se de que uma dieta líquida não dá para
ser levada por mais de três dias - nem repetida sem um intervalo de
pelo menos quatro semanas. Além de sentir fraquezas com a perda de
vitaminas e nutrientes que se vão juntamente com os líquidos,
você corre grande risco de comer em dobro depois que abandonar o bule
e as xícaras.
- Se, apesar de todas as recomendações, você tomar
muito chá, considere que vai ficar difícil ingerir grandes
quantidades de comida. Então, aproveite para fracionar a alimentação,
fazendo três refeições principais e três pequenas.
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