A obesidade infantil é uma doença crônica de
prevalência nos países desenvolvidos, mas, nas últimas
décadas, vem se observando aumento significativo
também nos países em desenvolvimento.
No Brasil, estudos populacionais verificaram um incremento
da obesidade no sexo masculino de 100%, no feminino de 70%, no Sul e Sudeste.
A obesidade infantil está associada a alterações metabólicas
importantes.
A criança apresenta maior risco para doenças, como hipertensão
arterial, alterações osteoarticulares, dermatites e distúrbios
provocados pelo estigma da obesidade. Como existe grande chance de a doença
ser diagnosticada na infância persistir até a idade adulta,
são necessárias medidas para o seu controle e evitar que o
prognóstico seja desfavorável a longo prazo.
Existe uma pré-disposição genética para a obesidade,
mas o que realmente provoca o aumento da gordura corporal é a ingestão
calórica desajustada às necessidades do organismo. Na maioria
dos casos, coexiste alimentação incorreta com atividade física
insuficiente. TV, computador e comida. O excesso de peso não tende
a diminuir à medida que a criança cresce. Ouve-se, freqüentemente,
a família dizer "quando crescer, talvez emagreça". As coisas
não são bem assim. Se não houver uma modificação
no comportamento alimentar e no estilo de vida, a obesidade persistirá
e o risco de se tornar um adulto obeso é muito grande.
Em curto prazo, a obesidade na criança tem conseqüências
nefastas em vários níveis, sendo as mais comuns perturbações
do crescimento e do desenvolvimento psicoafetivo, esteatose (aumento de gordura
no sangue) e deformações ortopédicas. "Está gordinho,
mas também está muito alto", diz a família. De fato,
as crianças com excesso de peso têm quase sempre altura acima
da média, mas também é certo que param de crescer mais
cedo que os outros. As perturbações psicoafetivas são
as que mais afetam crianças e os jovens. A sociedade adotou um padrão
de beleza que, entre as meninas, se traduz na "alta e magra" e no menino
"alto e malhado". É difícil, com estes modelos, ter auto-estima,
quando se é adolescente obeso. Mesmo a criança mais jovem é
marginalizada pelos colegas, quando participa de exercícios que exijam
alguma destreza física. Então, pouco resta para elas, além
do refúgio no computador, na TV e na comida.
Com a Família Envolvida
Quando uma criança de 8 anos tem excesso
de três quilos no peso, é preciso tomar alguma precauções.
É sempre bom procurar um médico. É rara a obesidade
a obesidade ser secundária a uma doença orgânica, mas
pode ser esse o caso. A criança em crescimento tem necessidades nutricionais
imprescindíveis. Qualquer programa de reeducação alimentar
tem que ser orientado e acompanhado. Quando se trata de uma criança
em idade pré-escolar, os pais devem controlar o peso sem se preocupar
em perder os quilos a mais. Na criança mais velha, o tratamento é
orientado no sentido de perder algum peso lentamente. Para que a criança
emagreça, não se deve ter pressa e não se pode esquecer
de que toda a família deve estar envolvida, modificando os hábitos
alimentares e todo o estilo de vida. Não se consegue emagrecer sozinho,
nem de uma dia para o outro se cura.