Quando vêem nas revistas que uma multidão de mulheres está
buscando seios maiores através das próteses de silicone, outra
categoria de mulheres deixa escapar um sorriso amargo: tudo o que elas queriam
eram seios... menores!
E esse desejo, primeiro oculto e depois explícito,
pode começar cedo. Não é pequeno o número de adolescentes que nos tem procurado,
geralmente acompanhasdas das mães, queixando-se do tamanho exagerado
de seus seios - muito maiores do que um seio siliconado. Meninas de 14 ou
16 anos que, por desarranjos hormonais precisam usar sutiãs tamanho
48, não estão, evidentemente, dentro dos padrões anatômicos
normais. E sofrem muito com isso. Seios hipertrofiados na adolescência
podem gerar alterações psicológicas inclusive na formação
da personalidade. Ao contrário de suas amigas, elas não tem
condições de usar uma camiseta mais justa e a hora de ir à
praia é um tomento. Às vezes até engordam, na tentativa
de que a obesidade camufle um pouco o tamanho das mamas. E há casos
em que o volume do seios é tão grande que produz problemas
físicos, como dores e desvios de coluna. Tudo o que essas meninas
desejam na vida é o alívio desse peso para se reintegrar esteticamente
à moda e ao seu grupo.
Conflito de gerações
Um dado curioso: muitas vezes, as mães que acompanham essas adolescentes
na primeira consulta com o cirurgião têm uma opinião
divergente sobre a necessidade de uma cirurgia. Há pais que não
concordam com a plástica, achando que a filha não precisa ou
que é cedo demais. Mas quase sempre é uma postura errada. A
hipertrofia mamária priva a menina de uma formação saudável
da personalidade. Na verdade a maior preocupação dos pais é
com a futura necessidade de amamentação - se a plástica
de redução não afetaria no futuro a produção
de leite. Acontece que a fisiologia da glândula mamária é
inteiramente preservada na cirurgia, bem como toda a sensibilidade dos seios
ao frio, ao calor e ao toque. E o melhor é que essa moça
que tem os seios diminuídos na adolescência poderá, depois
de casar e ter os filhos que desejar, submeter-se sem problemas a uma nova
plástica - dessa vez para levantar as mamas que muito provavelmente
sofrerão uma queda ao longo dos processos gestaticionais. Quase invariavelmente,
ao perceberem as vantagens da plástica de redução, os
pais acabam concordando - e permitindo que a adolescente realize seu sonho
e se livre do complexo.
Cicatrizes cada vez menores
Nos últimos 20 anos a plástica de redução mamária
passou por inúmeros avanços técnicos. O maior progresso
foi com relação ao tamanho da cicatriz resultante da correção.
No passado, o mínimo que os plásticos conseguiam deixar era
uma grande cirurgia em forma de T invertido, que cortava o seio do mamilo
até o sulco inferior e, no sentido horizontal, ocupava toda a extensão
deste, prologando-se às vezes em direção às costas.
Hoje, há três possibilidades - todas muito mais naturais do
que no passado recente:
- Para mamas grandes mas não exageradamente volumosas, o cirurgião
pode oferecer uma incisão areolar, na altura do bico, que praticamente
não deixa vestígios;
- Para mamas de médias a grandes, em que o excesso a ser tirado não
passa dos 450 gramas por seio, a incisão é apenas um corte
vertical ou, no máximo, em L;
- Já para as mamas gigantes, a incisão em T ainda é
necessária.
O comportamento da cicatriz, em quase todos os casos, é mais ou menos
este: a cicatriz tem um período de amadurecimento de seis meses. Do
segundo ao quarto mês ela fica mais grossa e avermelhada. Do sexto
em diante se aplaina, fica mais clara e a tendência é praticamente
desaparecer. De qualquer forma, numa pesquisa feita entre pacientes que se
submeteram à redução das mamas, constatou-se que a primeira
coisa que a paciente percebe, em seus novos seios, é o tamanho - quer
ver se eles diminuíram mesmo. Em seguida, vê a forma dos seios.
Em terceiro lugar, a posição do mamilo. Depois, a simetria
entre os seios. Finalmente, percebe a cicatriz.
Plena satisfação
Seja em adolescentes, seja em mulheres mais maduras, que assistiram ao crescimento
e à queda dos seios pelo processo natural do tempo ou devido a gestações,
a satisfação da paciente ao descobrir as mamas remodeladas
é a mesma daquelas que viram seu busto aumentar pelas próteses
de silicone. Em ambos os casos, as pacientes operadas se sentem muito mais
felizes e atraentes, redescobrindo ou valorizando sua condição
de mulher. Pudera: no caso da redução, ao se olharem no espelho
pela primeira vez, percebem que, no lugar das mamas agigantadas e deformadas,
ganharam seios com o pólo superior bem definido, que ficam lindos
num decote arrojado, projetados levemente para a frente - como se elas estivessem
usando sutiã sem estarem usando sutiã.