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Reportagem do Mes Reportagem do Mês :: Novembro / 2002
DLM - Manual Corporal
Pré e Pós Operatórios

Desde os tempos do grande Hipócrates, (460-377 a.C.) se conhece a existência de uma espécie de sangue "branco" no corpo humano, sendo que o "venerado Papa" da medicina ocidental referia-se à linfa intestinal no seu aspecto leitoso. Aristóteles, outro grande personagem da antiguidade, médico e filósofo, em seus escritos cita a existência de um líquido incolor, referindo-se à linfa em nosso organismo.

A linfa é um líquido que circula pelos vaso linfáticos que consituem o sistema linfático vascular. Nesse sistema há uma série de estruturas linfáticas que desempenham a função defensiva imunológica do organismo. O sistema linfático é pouco conhecido pelo público em geral, nas suas funções e estruturas, por isso há um certo ceticismo à terapia manual.

Esta técnica foi desenvolvida de forma intuitiva por Emil Vodder, sendo considerado um método alternativo e não acadêmico. A drenagem linfática manual (DLM) atua no escoamento dos líquidos intersticiais através dos canais pré-linfáticos e da linfa nos vasos linfáticos. Esta técnica exige conhecimentos teóricos da anatomia humana e a prática correta das respectivas manobras, que diferem da massagem clássica convencional. A DLM é indicada para tratamentos de transtornos neurológicos, edemas pós e pré cirúrgicos, edemas pós partos e transtornos cutâneos. A DLM é uma terapia complementar associada à traumatologia e à dermatologia. Com a DLM podemos tratar com êxito desde pequenos inchaços (tenossinovites, hematomas,acne, etc) a grandes linfoedemas (braços, pernas, etc) sempre que haja a possibilidade de drenagem.

Toda intervenção cirúrgica, por traumatismo provoca ruptura de vasos sanguíneos e linfáticos, lesões celulares, etc, produzindo uma reação inflamatória local, com inchaço e edema em boa parte dos tecidos afetados e circundantes. A aplicação da DLM antes e depois da cirurgia auxiliará a rápida resposta à agressão da cirurgia ao organismo.

Com a DLM ativamos a circulação linfática da zona a ser operada, no qual o paciente apresenta uma circulação linfática deficiente. Para melhorar a resposta circulatória local exercitamos os vasos sanguíneos da região, aplicando compressas quentes e frias alternadamente. Exercitaremos os músculos locais para que ao se contraírem, facilitem o retorno venoso e linfático. Ao mesmo tempo a aplicação da DLM nos gânglios linfáticos da região a ser operada melhora o resultado da recuperação do paciente, através dos carreamentos dos metabólitos e resíduos, facilitando o desbloqueio da região e colaborando para a rápida cicatrização.

Esse tratamento dura poucos dias, porém não impede que um apreciável edema de natureza hiper proteica se forme na região operada. Durante o período de recuperação pós cirurgia aplica-se a DLM o quanto antes possível, a fim de drenar esses edemas e favorecer uma rápida regeneração e reparação da pele e dos tecidos afetados. A DLM favorece também na reconstituição e formação de uma nova rede linfática capilar em substituição à danificada pelo processo cirúrgico. As pressões de empurre da DLM devem ser suficientemente suaves sobre a zona operada para que não provoque dor ou rompimento da lesão na fase de cicatrização junto aos pontos da sutura. A DLM deve ser tão suave que nesse caso é suficiente para aliviar o paciente da pressão e distensão dos tecidos afetados pelos edemas existentes. À medida que a cicatrização evolui a aplicação da DLM se aproxima das bordas da ferida, acelerando o processo de descongestionamento e recuperação total.

Quando uma lesão é produzida, os tecidos afetados desenvolvem um processo de recuperação em que se destaca a proliferação de elementos do tecido conjuntivo que formará a estrutura da cicatriz, determinando a sua elasticidade menor do que o normal. Seu aspecto pode se converer num problema estético. A cicatriz depende da origem, de fatores genéticos e raciais. Um excesso ou acúmulo de líquido intersticial (edema) dá lugar a uma série de condições que dificultam uma boa cicatrização. A persistência do edema favorece a proliferação da infecção, formando uma cicatriz hipertrófica ou quelóide. A prática da DLM exerce um efeito benéfico na formação da cicatriz e seus tratamentos estéticos quando recentes. Não obstante, também se conseguem bons resultados em cicatrizes não recentes nos quais os processos de remodelamento do tecido cicatricial ocorre num intervalo de tempo de alguns meses e da cicatrização primária, alguns dias. As cicatrizes hipertróficas devem ser tratadas previamente , a fim de ativarem a circulação sanguínea local, aplicando-se compressas quentes, raios infravermelhos, ventosas laser, etc.

Posteriormente aplica-se a DLM, com a assiduidade, trabalhando tanto a zona profunda terminal como o local ao redor da cicatriz. Pode-se observar uma melhora visível quando aplicada no local, pomadas anti quelóides à base de elastina .

 
 
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