Pesquisas mostram que o brasileiro consome esse condimento cinco vezes mais
do que sugere o ministério da saúde. E isso pode elevar vertiginosamente
a pressão arterial. Veja porque vale a pena não abusar e ponha
em prática um cardápio capaz de salgar a comida na dose certa.
No Brasil o uso do sal é tão difundido que foi escolhido como
veículo para reposição de iodo na população.
A determinação do Ministério da Saúde visa a
prevenir o bócio, alteração da glândula tireóide
que produz inchaço no pescoço e é comum, sobretudo no
cerrado, onde o solo e os alimentos cultivados são pobres no mineral.
Mas sua importância não termina aí: ele está presente
em todos os tecidos humanos e o sódio, um dos seus componentes, participa
da transmissão dos impulsos nervosos.
Além disso, os cerca de 250 g de sal presentes no corpo humano servem
para controlar o equilíbrio hidoeletrolítico, ou seja, a quantidade
de líquido ideal para o trabalho do aparelho circulatório,
que transporta oxigênio e nutrientes para as células e leva
embora gás carbônico e toxinas.
Equilíbrio, sempre
Se o tempero é imprescindível para o bom funcionamento do organismo,
o exagero pode causar verdadeiros estragos. Talvez o mais perigoso seja a
elevação da pressão arterial, também conhecida
como hipertensão arterial e que oferece risco de infarto e derrame.
É tão importante que despertou a atenção do famoso
estudo populacional Intersalt. De acordo com esse trabalho, que avaliou mais
de 10 mil pessoas de 32 países, povos que consomem pouquíssimo
sal, como os índios ianomâmis, por exemplo, tem baixa incidência
de hipertensos.
No Brasil, a doença afeta 12,5 milhões de pessoas, mas somente
2,7 milhões estão em tratamento, segundo estimativas da Sociedade
Brasileira de Hipertensão.
Coração em apuros.
Quanto mais salgada for a comida mais líquido a pessoa tende a acumular
no corpo. Isso ocorre porque o sódio presente no sal atrai as moléculas
da água. A partir daí, o volume de sangue aumenta, exigindo
maior esforço do coração para impulsioná-lo para
todo o corpo. Por conta disso, também os rins acabam trabalhando dobrado
para filtrar todo esse volume em circulação.
Para complicar, 50% da população em geral é sensível
ao condimento. Nesses casos, a ingestão excessiva provoca elevações
que podem prejudicar o interior dos vasos, favorecendo o depósito
de gordura e a formação de placas que podem obstruir a passagem
do sangue. O sal não é o grande vilão como se pensava.
A hipertensão é resultado de carga genética somada a
fatores ambientais. Mas, em pessoas sensíveis ao sal, o excesso do
tempero pode dar o pontapé inicial.
O shoyu é um bom substituto para o sal?
Para quem precisa reduzir o sal da dieta, a resposta é não.
Seria o mesmo que trocar seis por meia dúzia. O teor de sódio
presente em 100 ml do tempero pode ultrapassar 5g, quando o máximo
diário recomendado é 2,5 g.
Por isso, o melhor é usar
outros temperos, como azeite extravirgem, limão, vinagre de maça,
aceto balsâmico e ervas aromáticas, sugere ela. Para quem faz
questão do molho de soja, a solução é usá-lo
com moderação ou optar pela versão orgânica. Comercializada
em lojas de produtos naturais.
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Teste de sensibilidade
Por outro lado, nem toda pessoa que tem pressão alta é sensível
ao sal. Por isso, é recomendado que hipertensos façam um teste
reduzindo drasticamente o consumo do sal por uma semana antes de saber se
o condimento causa algum prejuízo. Se a pressão diminuir, a
pessoa tem sensibilidade ao sal deve controlar a doença maneirando
na quantidade do condimento. Mas se a pressão continuar elevada, o
doente precisa apelar para outras formas de controle, como exercícios
ou medicamentos.
O maior volume de água no organismo também complica a atividade
celular. O líquido entra na célula até ela ficar tão
lotada que ela não suporta mais água. Então o líquido
preenche os espaços intercelulares e, com isso, as toxinas não
são eliminadas. Pronto: está criado o quadro que favorece o
aparecimento da celulite. Muitas vezes é só reduzir o sal da
dieta que o aspecto casca de laranja melhora.
Outro prejuízo estático são as varizes. Com a retenção
de líquidos os pequenos vasos ficam obstruídos. As veias, inundadas,
dilatam e ficam visíveis. Além disso, as válvulas não
funcionam direito e as pernas incham.
De olho na quantidade
Uma colher de café de sal por dia (2,5 g) é o suficiente para
suprir as nossas necessidades orgânicas. O problema é que o
brasileiro consome, em média, cinco vezes esse valor (12 g ou 5 colheres
de café) diariamente. Para evitar prejuízos à saúde,
o nefrologista sugere que o consumo seja reduzido, pelo menos, à metade.
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Um pouco de história
As águas dos mares e lagos salgados são as principais fontes
de um dos mais antigos condimentos usados pela humanidade. Só na Bíblia
aparecem mais de 30 referências a ele. Na mais célebre, Jesus
Crista teria dito aos seus seguidores: "Vós sois o sal da Terra. Se
o sal perder o sabor, com que haveis de temperar?" Houve um tempo em que
um punhado dele era oferecido aos noivos como presente de casamento. Em outros,
gregos e romanos o utilizaram como moeda, já que era um dos itens
mais cobiçados pelo comércio medieval.
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Uma dica prática para saber se a ingestão está além
do aconselhado é observar o pacote de 1 kg do produto. Para uma família
de quatro pessoas, que almoça e janta em casa todos os dias, ele deve
durar cerca de um mês e meio. Se acabar antes, é sinal de que
está havendo abusos. Esse controle é muito importante porque
o sal não se encontra apenas naquele pozinho branco que adicionamos
no alimento na hora de prepará-los ou quando chegam à mesa
- aliás, os médicos condenam o hábito de virar o saleiro
sobre o prato. Grande parte dos produtos industrializados contém sal,
que é um dos conservantes mais antigos, dada a sua capacidade de impedir
a multiplicação de bactérias.
Salgadinhos, queijos amarelos, sopas, risotos, massas, caldos de carne, de
frango e legumes e temperos prontos, além de embutidos como presunto,
salame e mortadela, e conservas em geral contém muito sódio.
O condimento surge até mesmo em alimentos fora de suspeita, como sorvete
de baunilha, achocolatados matinais e doces. Na tabela de informação
nutricional, que agora consta obrigatoriamente em todas as embalagens, o
sal também pode figurar como cloreto de sódio (nome científico
do sal) ou glutamato monossódico. Geralmente, aparece em último
lugar, embaixo das vitaminas e calorias. Lá é possível
ver - e se surpreender -, por exemplo, que cada 100 ml de caldo de carne
contém 9,98 g de sal.
Beba muita água
Quem deseja cuidar de pressão arterial e, conseqüentemente, proteger
a saúde do coração e dos rins deve escolher com critérios
os produtos industrializados que vão para mesa. Investir em outros
temperos - principalmente os à base de ervas - e usar o saleiro com
mais parcimônia também são boas iniciativas. O consumo
de sal se dá muito mais por costume que por necessidade.
Vale lembrar ainda que é fundamental beber muita água durante
todo o dia. Ela evita que os rins concentrem elevadas doses de sódio
na urina. Portanto, se você abastecer seu organismo de líquidos,
isso ajuda a acelerar a eliminação do sal e, também
das toxinas.
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Conheças os tipos principais
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Light
Além de possuir menos sódio do que o convencional, é
enriquecido com potássio para ajudar no controle da hipertensão.
Pode ser usado na salada e no cozimento, sendo indicado para portadores de
insuficiência cardíaca, renal, hipertensão ou inchaço.
Marinho
A principal vantagem é que, como não passa pelo processo de
refinamento, preserva seus minerais. Nele, os produtores também adicionam
iodo para atender às normas do Ministério da Saúde,
após a evaporação da água do mar e posterior higienizarão.
Grosso
É produzido por maio da evaporação da água do
mar, controlada de modo a obter um cloreto de sódio de elevada pureza.
Serve para churrascos, assados e peixes. Também é preferido
para usos culinários, como tratamento de beleza e decoração.
Refinado
O sal usado pela maioria dos brasileiros é obtido por processo industrial
em que muitas das características originais são perdidas. Mesmo
assim, fornece minerais importantes, colabora na conservação
dos alimentos e serve para temperar assados ou cozidos.
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