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Reportagem do Mês :: Fevereiro / 2005
10 (bons) Motivos para Perder Peso
Imagine um caminhão que transporta, todos os dias, uma cargImagine um caminhão que transporta, todos os dias, uma carga superior
à recomendada no manual do proprietário. Nos primeiros meses
de uso, é provável que não apresente defeitos. Mas,
com o passar do tempo, alguns problemas tendem a surgir: as molas arrebentam,
os amortecedores rompem, a suspensão arria...sem falar que o veículo
torna-se perigoso de ser guiado. Conclusão: se não for submetido
a reparos, o caminhão serão aposentado antes da hora.
Com a pessoa acima do peso acontece o mesmo: quanto mais gordura ela acumula
no corpo, maior sua probabilidade de desenvolver doenças - desde de
probleminhas de pele até distúrbios cardiovasculares. A explicação
baseia-se no fato de que nosso organismo não está preparado
para agüentar um grande volume de gordura. Quando engordamos além
da conta, exigimos esforço extra dos órgãos vitais,
dos vasos sanguíneos e também do esqueleto. "Ser gorda não
traz, definitivamente, nenhum benefício à saúde". "O
obeso tem maior tolerância ao frio e é capaz de sobreviver a
longos períodos de jejum, mas isso não pode ser considerado
uma vantagem."
TRISTE ESTATÍSTICA
Apesar dos constantes alertas emitidos pelos especialistas no sentido de
prevenir a doença, o número de obesos cresce a passos largos:
estima-se que 30 milhões de adultos no mundo todo esteja mais gordinhos
do que deveriam. Nos Estados Unidos, a obesidade já é considerada
uma epidemia, que atinge cerca de 60% da população adulta e
13% da infantil. E tem mais: associações médicas calculam
que os problemas de saúde causados ou agravados pelo excesso de peso
provam a morte de aproximadamente 300 mil norte-americanos por ano, 200 mil
latinos-americanos e 80 mil brasileiros. Se você não quer fazer
parte dessa estatística, tomo providências o quanto antes. Confira,
a seguir, algumas vantagens de ficar com o peso sob controle e comece hoje
mesmo a mudar de atitude diante da comida:
1. CORAÇÃO FORTE
Quem mantém o peso estável diminui (e muito) a chance de ter
problemas ligados ao órgão. Responsáveis por cerca de
40% das mortes de brasileiros com mais de 45 anos, as doenças cardiovasculares
atingem em cheio a população obesa. Os fatores que mais afetam
o bom funcionamento do coração são a hereditariedade,
o sedentarismo e a alimentação rica em gordura saturada, muito
comum entre os gordos. O consumo excessivo da substância pode elevar
o colesterol ruim no sangue, que se deposita nas paredes das artérias
e acaba por destruí-las. O quadro vai se agravando até que,
se nenhuma providência for tomada, o paciente pode ter um infarto do
miocárdio, pois o sangue já não consegue alimentar o
órgão. "Se um obeso reduzir o peso em 5%, a chance de sofrer
uma isquemia no músculo cardíaco diminui 50%." Os magros também
estão menos suscetíveis à insuficiência cardíaca
- deterioração da capacidade do coração de bombear
o sangue. Segundo um estudo publicado no New England Journal of Medicine,
o risco aumenta em 5% para os homens e em 7% para as mulheres para cada unidade
de aumento do índice de massa corporal (IMC). Dicas de prevenção:
abandone o cigarro, adote uma dieta saudável e reduza a pressão
arterial e o nível de colesterol ruim.
2. PELE PERFEITA
Os magros se livram de alguns distúrbios relacionados ao maior órgão
humano, quem está acima do peso pode ter um problema conhecido como
acantose nigricans, caracterizado pelo engrossamento e escurecimento das
dobras da pele, axilas e virilhas. Também corre-se o risco de contrair
fungos e bactérias, que geralmente atingem a virilha e a região
das mamas devido ao aumento da fricção e da transpiração
que acompanha a gordura excessiva. Descamação, bolinhas de
água e vermelhidão são outra queixa comum. Mais uma
vez, é só perder peso para atenuar as crises. Outros incomôdos
desencadeados pelos quilos extras: calosidade nos pés, acrocodon (verrugas
que pipocam nas dobras), secura exagerada da ponta dos pés e uma maior
incidência de estrias (rompimento das fibras da derme). Para garantir
uma pele saudável, só emagrecer não é suficiente.
Você precisa adotar certos cuidados: secar bem os pés; usar
sapatos confortáveis e arejados; em vestiários, não
se esquecer de usar chinelos, para evitar o contato com as bactérias.
3. PRESSÃO SOB CONTROLE
Se você está no peso ideal, comemore! É que os obesos
têm uma chance 50% maior de ser acometido pela hipertensão.
No Brasil, estima-se que 25 milhões de pessoas sofram com o problema,
que obriga o coração a trabalhar com maior intensidade no bombeamento
de sangue. Em estágio avançado a pressão alta pode levar
ao infarto, derrame, insuficiência renal e danos na retina. Restringir
o uso de sal na alimentação, aumentar o consumo de vegetais,
fugir do estresse e praticar exercícios ajuda a combatê-la.
4. SONO TRANQÜILO
Sim, os magrinhos costumam dormir melhor, pois dificilmente sofrem de apnéia
do sono (interrupção curta e repetida da respiração
que leva à queda do oxigênio no sangue) A falta de ar atinge
sobretudo o público masculino, dura cerca de 10 segundos e só
preocupa quando ultrapassa a freqüência de 5 por hora ou 30 por
noite. O ronco - vibração dos tecidos moles da garganta - também
é freqüente em pessoas com excesso de peso e acontece devido
à dificuldade de passar o ar por uma via aeréa superior estreita,
causada pelo excesso de tecido gorduroso. É que, enquanto um gordo
dorme, seu peso corpóreo pode pressionar o pulmão e as vias
de passagem do ar, fazendo com que o órgão receba pouco oxigênio.
Além do peso excessivo, recomenda-se evitar o consumo de álcool,
refeições pesadas à noite e remédios que combatem
a insônia.
5. LIVRE DE TUMORES
A Organização Mundial de Saúde estima que entre um quarto
e um terço dos casos de câncer em todo mundo esteja ligados
ao excesso de peso e à falta de atividade física - quer melhor
motivo para ficar magro? Os riscos da câncer de mama após a
menopausa, câncer de ovário, cólon, próstata,
esôfago, endometrio e rins, aumentam entre os não-fumantes acima
do peso, de acordo com a entidade. Os casos de câncer em obesos estão
ligados principalmente à alimentação rica em conservantes
e gordura saturada. O acúmulo de tecido adiposo no abdômen oferece
maior perigo, pois resultam em alterações metabólicas
e hormonais que favorecem o surgimento de tumores. Medidas preventivas incluem
atividade física regulare e alimentação saudável.
6. OSSOS E ARTICULAÇÕES NO LUGAR
Problemas de coluna, joelhos, quadris e tornozelos são freqüentes
em pessoas que pesam além do que deveriam. "A cada 10 Kq ganhos, a
pressão sobre o joelho aumenta cerca de 1Kg'. De acordo com o médico
a região lombar é a mais atingida quando a gordura está
localizada no abdômen. Muito comum entre as pessoas cheinhas é
uma inflamação das cartilagens que envolvem as articulações,
a chamada osteoartrite. Também pode ocorrer a formação
de protuberâncias ósseas, causando dor, rigidez muscular e inchaço.
"Quando o indivíduo emagrece, os problemas podem melhoras, ma alguns
são irreversíveis. Quanto mais velha a pessoa, maior é
o risco de lesão." Obesos com menos de 45 anos costumam ter problemas
na coluna. Acima dessa idade, além de comprometer a coluna, adquirem
lesões nos joelhos. Os idosos têm dores na coluna lombar, nos
joelhos (artrose) e também nos calcanhares.
7. LONGE DO DIABETIS
Eis mais uma estatística que favorece os magros: eles correm menor
risco de ter diabetis do tipo 2. "Quando as pessoas engordam, não
acumulam apenas um depósito inerte de gordura. O tecido gorduroso,
sobretudo àquele localizado junto às víceras, adquire
propriedades novas, expressando e secretando substâncias nocivas",
são três os motivos que levam a esse tipo de diabetis: a menor
captação de glicose pelas células, a menor produção
de insulina pelo pâncreas após a sobrecarga de funcionamento
e uma maior produção de glicose pelo fígado. A probabilidade
média de um adulto desenvolver diabetis no Brasil é de 8%.
A chance aumenta com a idade e com o grau de obesidade. Quem é gordo
tem três vezes mais diabetis que indivíduos com o peso normal.
A base do tratamento é a dieta hipocalórica e aumento de atividade
física. Perdidos alguns quilos a glicemia pode normalizar, sendo então
iniciada uma dieta de manutenção.
8. SUOR NA MEDIDA
A transpiração é uma função importante
do organismo para eliminação do calor gerado pelo metabolismo
das células. "Apesar de a ausência de suor ser erronemente incriminada
como possível causa da obesidade, o que a maioria dos obesos se queixa,
na verdade, é o seu excesso. Embora os gordinhos apresentem uma taxa
de metabolismo desproporcionalmente baixa para seu peso, ainda assim ela
é maior do que a de um indivíduo com peso normal, fazendo com
que a produção de calor seja mais elevada que a capacidade
de perda. A gordura localizada sob a pele forma uma capa com efeito de isolante
térmico. Criando um ambiente semelhante a uma estufa e dificultando
a difusão de água dos tecidos profundos para a pele, o organismo
põe as glândulas sudoríperas para trabalhar. Além
disso, existe um comprometimento da ventilação respiratória,
por dificuldade da expansão do tórax frente ao peso excessivo,
diminuindo a perda do calor através do vapor respiratório.
Esse excesso de transpiração pode ser identificado em dias
quentes, durante refeições ou mesmo em atividades físicas
leves. Quando a pessoa emagrece, o problema some.
9. AUTO-ESTIMA EM ALTA
Nem é preciso dizer que os magros têm menos problemas de auto-estima,
os obesos sofrem com os padrões de beleza impostos pela sociedade.
"Ela sempre o vê como um relaxado ou um derrotado", acredita. "Isso
abala a auto-estima do obeso, que enfrenta uma sensação de
perda ligada à imagem corporal, pois vê seu próprio corpo
como algo deformado". Depressão e falta de auto-controle também
são comuns. "Muitos comem para lidar melhor com o mundo". Para não
cair nessa fria, fechar a boca não basta; é preciso mudar a
cabeça conjugando tratamento psicológico com um programa de
emagrecimento. A manutenção deve continuar a vida toda, pois
a comida é semelhante à droga - pode haver uma recaída.
10. VESÍCULA SAUDÁVEL
O excesso de peso também está relacionado ao aumento da secreção
biliar de colesterol, o que provoca uma maior incidência de cálculos
na vesícula. A doença ataca de três a quatro vezes mais
a população obesa. Outro problema que ocorre com freqüência
é o excesso de gordura no fígado, que pode causar uma inflação
no órgão e resultar em hepatite crônica ou cirrose hepática.
Obesos também costumam ter mais varizes, pois o ganho de peso é
responsável pelo aumento da pressão abdominal, o que dificulta
o retorno venoso. Além disso, há uma sobrecarga do sistema
linfático e da musculatura da perna. Emagrecer, mais uma vez, ajuda
a afastar esse problemas.
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