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Reportagem do Mês :: Agosto / 2004
Só é gordo quem quer!
Que o mundo está engordando, não há mais dúvidas.
Em 2002, a Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou
que existem 300 milhões de obesos no planeta - uma cota 50% maior
que sete anos antes.
Esse não é um problema enfrentado atualmente
apenas pelos países ricos, onde a população tem condições
de consumir os alimentos em grande quantidade e variedade. No Brasil, apesar
de não haver comida sobrando, há mais gordinhos do que gente
passando fome, cerca de 40% da população brasileira está
acima da faixa de peso considerada desejável. Entre as mulheres, o
número é mais preocupante: "Metade da população
feminina sofre com excesso de peso".
Problemas genéticos: uma das causas
freqüentes
Os motivos que levaram ao comprometimento da silhueta são justamente
o enfoque principal dos médicos que se dedicam há anos ao estudo
da obesidade. Antes de 1990 os pesquisadores acreditavam que a gordura em
excesso fosse apenas causado pelo estilo de vida sedentário. "Puro
preconceito".
A obesidade é uma das dez epidemias
mundiais,
segundo a Organização Mundial de Saúde.
Depois de muito esmiuçar o assunto, os especialistas da área
nutricional finalmente aprenderam uma lição: os cheinhos não
ficam assim única e exclusivamente por acomodação ou
falta de disciplina. Sofrem em muitos casos por desordens orgânicas
provocadas por alguma falha na sua constituição genética.
"Estimamos que, em 30 % dos obesos, a principal causa dos problemas sejam
alterações genéticas", existem aproximadamente entre
50 e 70 genes envolvidos com o mal.
Algumas substâncias podem alterar o apetite
Vários trabalhos científicos, realizados principalmente nesta
última década, ajudaram a desvendar outros motivos pelos quais
o ponteiro teima em disparar na balança de determinadas pessoas: certos
hormônios em concentrações variadas. Os hormônios
são responsáveis pelo ganho de peso. De doze substâncias
hormonais presentes no corpo que interferem diretamente nos quilos a mais,
três foram investigadas a fundo: a leptina, a grelina e o PYY3-36.
Dessas substâncias, a mais comentada e analisada é a leptina
- fabricada pelas células gordurosas para provocar a satisfação
do apetite. Por volta de 1994, cientistas concluíram que 70% dos gordinhos
sofrem uma baixa de leptina. E o pior é que como ela é fabricada
justamente pelos tecidos gordurosos, quando a pessoa finalmente consegue
se livrar dos pneuzinhos a toda-poderosa tende a diminuir. Resultado, o mecanismo
de saciedade fica comprometido e, por esse motivo, a fome voraz ataca novamente.
"Por esse desajuste hormonal fica difícil para o gordo emagrecer,
mais do que simplesmente por uma questão de mau comportamento à
mesa.
A grelina, por sua vez, é outro hormônio associado ao apetite
de leão. Ele é fabricado no estômago e tem a função
primordial de avisar o cérebro que é chegada a hora de se alimentar.
Foi fácil desvendar sua importância depois que os cientistas
acompanharam voluntários nas pesquisas e concluíram que os
rechonchudos apresentavam uma dosagem três vezes maior de grelina do
que a constatada nos magros.
O terceiro hormônio da lista dos endocrinologistas - o PYY3-36 - tem
um mecanismo um pouco diferente. Fabricado no intestino após as refeições,
quando é lançado na corrente sanguínea informa ao cérebro
que o aparelho digestivo está ocupado depurando os alimentos e que
por isso o sistema nervoso central já pode desligar o radar da fome,
pois o organismo está abastecido. Em um recente trabalho publicado
na conceituada revista científica Nature, os pesquisadores constataram
que os gordinhos fabricam pouco dessa substância.
PEQUENAS MUDANÇAS NA
VIDA E NOS HÁBITOS ALIMENTARES SOMAM DIFERENÇAS NA LUTA CONTRA
A OBESIDADE. QUER VER? ELIMINAR SOMENTE O AÇÚCAR E O ÓLEO
DO PREPARO DOS ALIMENTOS É SUFICIENTE PARA REDUZIR ATÉ 300
CALORIAS DIARIAMENTE.
Hábitos pouco saudáveis são
como um prato cheio
Porém, mesmo considerando que a genética e as desordens hormonais
atormentam os que sofrem com as formas arredondadas, não dá
para descartar a importância do estilo de vida. "Comportamento não
é tudo, mas ajuda a somar quilos".
Se a vida corrida das grandes cidade abre o leque para as refeições
engordativas tipo fast-food, outros hábitos alimentares poderiam balancear
esse ganho calórico. Para tanto, bastariam algumas mudanças
à mesa, como eliminar carnes empanadas, pois contabilizam até
quatro vezes mais calorias do que a versão grelhada. No dia-a-dia,
as atividades que se tornaram totalmente computadorizadas - controle remoto
para isso e botões para aquilo - poderiam ser compensadas "deixando-se
o carro na garagem, usando menos elevador e estimulando as crianças
a trocarem o videogame por uma partida de bola".
E o que fazer então para mandar para o espaço quilos a mais?
A receita "dieta saudável + prática de exercícios" ainda
ocupa o primeiro lugar na conduta médica. No entanto, os especialistas
estão cada vez mais convencido de que apenas isso não basta.
"Às vezes é preciso adotar o uso de remédios, clínicas
de estéticas ou, num outro extremo, até a cirurgia do estômago",
cada caso deve ser analisado individualmente, com cuidado...
Formas de Derrotar o Inimigo
Mudanças de comportamentos são uma das ferramentas mais importantes
para quem quer perder peso e adotar uma postura mais saudável em relação
à alimentação e atividade física. Os médicos
sugerem algumas formas inteligentes para abordar essa luta em relação
à gordura - e, dessa forma, poder vencê-la gradativamente e
sempre.
1 - Prepare um diário de tudo o que você come. Anote tudo. É
uma forma eficaz de não deixar o cardápio desandar.
2 - Durante as refeições, não faça nada enquanto
come, como ver Tv, ler, falar ao telefone. Concentre-se na cor, no aroma
e no sabor dos alimentos para estimular o prazer de alimentar-se.
3 - Mastigue bem a comida, em pedaços pequenos e garfadas contidas.
O mecanismo estimula a digestão lenta e, portanto, prolonga a saciedade.
4 - Compre alimentos in natura são mais saudáveis, menos engordativos
e permitem um preparo light, com pouco óleo.
5- Coma frutas com bagaço: ele é rico em vitaminas e fibras
que aumentam a saciedade.
6 - ao consumir produtos industrializados, leia atentamente o rótulo
e compare os valores nutricionais. Fique com as opções menos
calóricas e com mesmo teor de gordura.
7 - Tenha em mente uma regra: um alimento que não contém açúcar
pode trazer muita gordura. Nesse caso, ele engorda também.
8 - Troque ingredientes como cremes, manteigas e temperos prontos por ervas
adicionadas ao prato, o que confere mais sabor com poucas calorias.
9 - Beba pelo menos 2 litros de água por dia e, sempre que der vontade
de comer fora do horário das refeições, consuma dois
copos de líquidos.
10 - Antes de se negar fazer um exercício por falta de disposição,
tente diversas modalidades. Você pode não gostar de correr ou
pedalar, mas de repente descobre o prazer por uma partida de tênis
ou vôlei...
11 - Tem certeza de que não nasceu para exercícios? Mas pelos
menos tente trocar as atividades automáticas do dia-a-dia pelas manuais.
Por exemplo, em vez de usar o elevador, use a escada rolante ou suba pelas
escadas. Para ir até a padaria, caminhe. Aposente a lava-louça
e invista na esponja. Economize com o lava-rápido e dê um trato
no carro. De calorias em calorias você vai emagrecendo.
12 - Se surgir aquela vontade irresistível de beliscar: vá
dar um passeio, ver vitrines, passear com o cachorro, andar com as amigas
pelo bairro.
13 - Antes de sair de casa para uma festa ou reunião social, faça
um lanche saudável em casa com cenoura, alface, peito de peru e queijo
branco. Assim você evita chegar ao evento com fome e comer muito dos
quitutes gordurosos.
14 - Não tenha sonhos impossíveis em relação
ao peso. Estabeleça objetivos realistas de acordo com seu tipo físico
e estilo de vida.
15 - Combine com seu parceiro, companheiro ou amigo uma rotina de dieta e
atividades que mexam com o corpo. Os resultados positivos de um valem como
incentivo ao outro.
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